sábado, 30 de outubro de 2021

Garota Country - Parte 2

     - Se soubesse que irias vir vestida de sertanejo eu também viria - disse Lívia um pouco chateada.
    - Mas eu não estou vestida de sertanejo - tentei convencer ela de que esse era o meu estilo, e que não estava inventando um tema. Até porque isso iria ser ridículo demais. 
    - Que seja - disse ela dando de ombros - Você está gata pra caralho!
    Eu nem precisava dizer que Lívia também estava, até porque ela sempre foi muito desejada por todo homem que passa ao lado dela. E não só os homens. Acho que é o jeito doce e ao mesmo tempo muito atraente que ela tem, sem falar do carisma. Ela conhecia metade dos universitários de Lalver. 
    - Ficou maneiro seu penteado - a elogiei, era duas tranças no alto da cabeça como se fosse uma boxer que chegavam até o final das costas. O penteado realçou os seus loiros naturais no decorrer do entrelaço. 
    - Thanks. - ela agradeceu e direcionou seus olhos para mim com uma certa malícia - Soube que Maicon estará na festa também.
    - Maicon? - perguntei confusa - Ele não ia viajar com a família?
    - Parece que não foi, ele brigou feio com o pai - informou ela abaixando a voz como se não quisesse que ninguém escutasse a fofoca. Sendo que não tinha ninguém ali no carro, a não ser as duas. 
    - Não quero mais saber dele, você sabe disso - claro que gostaria de saber da vida dele, mas isso não me fazia bem. Desde que terminamos, quero dizer, eu terminei, luto para esquecer que um dia ele fez parte da minha vida. Por mais breve que tenha sido. 
    - Eu sei, ele é um babaca - bufou ela - Mas garoto gato não vai faltar nessa festa pra fazer você esquecer ele de vez!
    - A intenção é me divertir, se alguém atrair minha atenção, aí sim estarei disposta a sair da minha zona de conforto. - Lívia olhou para mim com cara de decepção. E eu apenas levantei o queixo muito convicta do meu plano. O tanto que ela se esforçava para me fazer gostar de festa  era incrível. Assim que terminei com Maicon ela viu uma oportunidade para ser a sua companheira. Porém só aceitei ir nessa festa com ela porque era a festa de fim de ano dos calouros. E amanhã iniciava nossas férias de verão. 
    - Você não tem jeito, Rose - ela ri de mim como sempre. E no fim respondo "ainda bem".

   
    

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Garota Country - Parte 1

     Coloco minhas botas country marrons e preferidas. E me visto do melhor vestido preto que tenho no meu armário, as alças finas se aconchegam no meu ombro, os meus seios livres se espremem na seda e por fim caem perfeitamente nas minhas nádegas. 
    Me sinto pronta. 
    Opa, quase ia esquecendo de um pequeno grande detalhe.
    Em cima da cômoda apanho meu batom vermelho, vou a frente do espelho que está sobre o chão e o passo com muito cuidado pelos meus lábios carnudos. 
    Por fim, largo o batom no lugar que estava e volto para a frente do espelho. 
    Ok. Me sinto ridícula. 
    Quero dizer, uma esquisita perante a sociedade, mas para mim, estou uma baita gostosa. 
    Eu me beijava. Até mesmo de batom vermelho.
    Já imagino o pessoal da festa me olhando torto. 
    Maldita pessoas. 
    Foda-se elas. Esse é meu jeito, e isso que me torna única e mais atraente. 
    - Você parece uma bela cantora country sexy - elogiou meu pai sorrindo de orelha a orelha e me girando com uma de suas mãos para admirar melhor. 
    Não consigo evitar uma longa risada. 
    - Sério, filha - disse ele acendendo o cigarro e indo para a porta da frente - Aproveita, mas com cuidado, por favor. 
    - Você sabe que comigo não precisa ter preocupações - lembrei ele, mas confiamos muito um no outro, isso que torna nossa ligação tão linda e inspiradora. 
    - Eu sei, mas não confio nas outras pessoas - disse ele - Lívia já está chegando? 
    - É para estar... - olho para a estrada, e não vejo nada além da senhora Hubens limpando a grama. - Isso é horas de limpar a grama?
    - Nem me pergunte - ele bufou e tragou o cigarro. 
    No fim rimos juntos. 
    E de repente nossos ouvidos é preenchido pelo som alto do opala seis cilindros de Lívia. 
    - Vamos nessa Rose, que hoje a noite é uma criança! - exclamou Lívia assustando a senhora Rubens. Peço desculpas com uma das mãos e ela faz cara feia pra mim. Sorrio por dentro. - Ela está em boas mãos, Sr. Dennis! 
    - Estou contando com isso - responde meu pai com um sorriso torto e uma certa preocupação refletida no rosto. De certo já está arrependido e pensando que está sendo um pai desnaturado por deixar sua filha de vinte anos sair de casa às nove horas da noite. E parecendo uma bela cantora country sexy.
    - Te amo, pai! - grito, esquecendo da vizinha, enquanto o ronco alto do carro sinaliza o arranque. 

Arco de Flores

    Tem dias que é difícil aguentar essa dor profunda.   
    Ela queima, arde e é intensa como o escuro. 
    Eu quero ficar bem, mas essa escuridão consome os meus desejos essenciais. Como se nada tivesse sentido e a dor comanda. 
    As vezes me vejo entrando num quarto iluminado pelo dia nublado, a porta da fé, da esperança, da paz, dos sorrisos vazios e do amor se fecham atrás de mim. Subo na escada da vida, coloco um arco de flores coloridas no pescoço e me jogo no vácuo da eternidade. Sinto que ali há menos dor e menos cobrança. 
    Aí abro os olhos e suspiro o ar da vida de novo. 
    E sigo em frente para a grande poesia da cura. 
    

Verão, eu e você nus, a lagoa, a lua e as inúmeras estrelas

    Um dos dias mais felizes da minha vida.
    Verão, eu e você nus, a lagoa, a lua e as inúmeras estrelas. 
    Entramos na água com o intuito de nos lavar, já que a água de casa havia faltado. Começamos a nos ensaboar, riamos da situação, e a luz amarela do poste retratava a alegria de estarmos juntos naquele momento e naquela situação. 
    Tinha paz e amor.
    Podíamos ver sobre a lagoa a fumaça que saía discretamente, e nela mergulhamos no nosso sentimento tão doce e ardente. 
    Ah, se pudesse voltar no tempo e sentir aquela explosão de sentimentos...
    Parecíamos crianças vivenciando um momento de adultos. Ver seu corpo nu no reflexo da luz amarela ao sair da lagoa e assistir a obra de arte das curvas do seu corpo e da sua alma me transbordaram. Tive a certeza que era você. 
    Eu e você pra sempre.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Fugitivo da realidade

    Escrever não é algo fácil.
    Na verdade, é. Mas para incluir na sociedade atual que você é escritora não é algo simples, porque não é comum. O que é comum é você ter diploma, ter família e ser abundante financeiramente. 
    Mas quando você quer abdicar de entrar no sistema você se sente perdido. Sente-se um fugitivo da realidade. 
    E se eu quiser escrever? Viver digitando palavras e imaginando os momentos escritos num papel? 
    É tão lindo transcrever esse universo único que há dentro de mim. É singelo e ao mesmo tempo tão profundo. 
    Tão essencial.
    Mas me questiono diariamente: faz sentido?
    


A vida continua

    O sol apareceu e com ele realçou toda a poeira que flutuava no ambiente. Não era pouco.
    Tossiu discretamente para que Alice não percebesse que estava levemente - ok, totalmente - incomodada com a sujeira do lugar. 
    Como ela conseguia ficar ali?, se perguntava a todo instante quando virava a cabeça e via um livro comido na poeira. 
    - Você não pretende vendê-los? - ela opinou com a voz gentil para não magoar a amiga com aquilo - Ou talvez doar? 
    Acho que doar seria mais a cara do Tom. 
    Ela não respondeu nada. Era o esperado no fim. 
    Desapegar das coisas do Tom não estava sendo algo agradável para ela. 
    Mas até achava melhor entregar os livros para alguma pessoa que aproveitasse realmente do que deixá-los jogados pelo quarto cobertos de poeira. Eles poderiam ser úteis para alguém. 
    Bem, mas não seria eu que lhe diria isso. Ou deveria?
    Eu era a melhor amiga dela, acredito que eu deva falar essas coisas. Melhor do que se fosse a mãe dela. Com certeza. 
    No quarto deviam ter mais de trezentos livros. 
    Tom era um ótimo escritor e amante de livros. Foi o que mais Alice se encantou por ele, já que ela achava lindo e charmoso quando ele sentava na poltrona, colocava seu óculos redondo, as vezes deixava a vitrola tocando e lia um dos seus livros. 
    Essa era uma memória encantadora do seu amigo. 
    Aquele lugar tinha muitas lembranças dele, e estava meio que mexendo com seu coração.
    - Você está chorando, Meg? - perguntou Alice amigavelmente ao se virar para mim para dizer algo, mas parou quando olhou para o meu rosto.
    Ok. Sou uma péssima amiga. Não consigo ser forte.
    - Não vende os livros. Nem os doa... Foi uma péssima ideia - eu disse no fim das contas. 
    Ali estava Tom. Naqueles livros. Por baixo da poeira, claro.
    Olha só, à direita estava a obra de Robert Frost, ele adorava esse poeta. Peguei o livro na mão e fechei os olhos. Duas lágrimas caíram sobre o livro, umedecendo a poeira.
    - "Posso resumir em três palavras tudo o que aprendi sobre a vida: a vida continua." - Alice versou a frase do poeta. 
    Lembro como se fosse hoje o dia em que Tom nos disse essa frase. 
    Era uma noite chuvosa, estávamos em seis pessoas, bebendo vinho tinto, rindo sobre os momentos da vida e muito felizes. E eu disse que não queria que aquilo acabasse. Momentos como aquele.
    - Meg, lá vem você com suas melancolias - brincou Joana, uma amiga nossa da faculdade. - Somos jovens, vamos poder curtir muito ainda!
    - Vocês terão que me aguentar muito, sinto-lhes dizer, caros amigos - atestou Gael e depois satisfez-se de um gole de vinho para intensificar a notícia. Nos fazendo rir, mais ainda. Ele diz isso porque sabe o trabalho que é ser amigo de um vocalista de banda. Quase uma banda nacional.
    E então Tom, sempre muito sábio, nos disse a frase. 
    Bom, no momento, trouxe-nos muito alívio. 
    A vida continua. Ela tem vários significados. Podia ser até uma polissemia. 
    E mesmo depois da sua partida para o outro lado, ainda nos ensina. 
    Sequei as lágrimas. 
    - Posso pegar esse livro emprestado? - perguntei agora de cara limpa e de certa forma mais forte. Até porquê a vida continua.
    - Claro. - respondeu ela com seu sorriso doce. O sorriso que encantava a todos. - É seu.
    Agradeci com os olhos e a abracei. 

    

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Histórias Inacabadas - A empregada do amor - Parte 2

     - Você conhece o homem que Dona Olívia está tratando? - perguntou para o seu afetuoso amigo de trabalho com muita curiosidade. 
    - Ele está querendo comprar a casa - respondeu ele ainda mexendo no jardim. Lúcia sempre achou o jardim desta casa a mais linda da Vila, isso graças as mãos incríveis que seu amigo tinha para tal serviço. Acreditava que o amor que ele tinha pelo seu trabalho era demonstrado na esplendida beleza do jardim. Tinha vários tons de cores, desde as flores até as árvores. Ao redor dos dois continha rosas de cores brancas, vermelhas e rosas. E desde que chegou perto do amigo, pode sentir o contraste que era estar ao redor da vegetação. O ar gelado da natureza preenchia seu rosto e o cheiro das rosas refrescavam suas narinas. 
    - Como assim? - Lúcia não conteve a perplexibilidade da notícia. Ela colocou a mão na boca e arregalou os olhos. Assim que percebeu que fez a mesma coisa que a sua senhora ao colocar a mão na boca, ela baixou. Detestaria ficar sendo influenciada negativamente, ainda mais sobre fofocas. 
    Lúcia sempre observava a filha da Dona Olívia para tirar algum proveito da sua etiqueta. E imaginou que Elizabete não reagiria dessa forma. Além disso, Elizabete tinha um ar de serenidade que Lúcia admirava. Sobre qualquer assunto ela não demonstrava espanto, apenas escutava, refletia e respondia da forma mais propícia para a situação. Muitas das vezes se sentia até a vontade na sua presença, ao ponto de fofocar sobre assunto particular de algum empregado da vivenda, mas ela a cortava num instante. Ou educadamente escutava e mudava de assunto. Isso até a deixava sem jeito. 
    Mas em nenhum momento se sentia inferior a ela. 
    Algo que sempre aprendeu de berço era valorizar a si. Muitos ensinamentos para ser forte com a vida vieram do seu sábio pai Francisco. Infelizmente ele não estava mais vivo para continuar a lhe dar conselhos, muitas vezes Lúcia sentia-se fraca e sem sabedoria para buscar forças, o que intensificava ainda mais a saudade do seu pai.
    - Elizabete vai fazer faculdade no exterior, assim, a família resolveu ir junto para morar - informou ele sem mostrar preocupação.
    As vezes ela não entendia como as pessoas não viam energia nos acontecimentos. 
    - Esse tal Henrique irá comprar? - ela não conteve o desânimo. Por mais que Dona Olívia era ríspida muitas vezes, ainda assim sentia-se parte da família. Pois a Sra. Olívia aceitou-a a trabalhar ali mesmo sem experiência. Sendo seu único trabalho na vida. E mesmo assim sempre teve paciência para ensinar  Lúcia a ser uma boa empregada.  
    Ficaria desempregada? 
    Sua mente agitou-se com tal possibilidade. Sua renda era muito importante para cuidar da sua debilitada mãe. 
    Após o falecimento de Francisco, a Sra. Florinda nunca mais foi a mesma. A dor dominou seu corpo de uma forma que a adoeceu, de corpo e alma. 
    - Não se preocupe, pelo que escutei, a Srta. Elizabete implorou para Olívia manter todos os serviçais empregados, e que não venderia a ninguém se não nos aceitasse junto. - disse Geolá ao ver a preocupação reluzente no rosto angelical de Lúcia. - Já disse para parar de franzir o rosto, isso fará você envelhecer mais cedo. 
    Ela suspirou de alivio e não conteve o sorriso largo. 
    Geolá cortou o dedo nas rosas. Ele não conseguia se concentrar ao ver Lúcia sorrindo. Com certeza era os lábios e dentes mais perfeitos que já vira. 
    Muitas vezes ele tinha a certeza que Lúcia era mais encantadora que a mais bela flor que já cuidara na vida. 
    Geolá escondeu o machucado e a sensação de dor para não se mostrar fraco diante de Lúcia. Sua mãe sempre dizia para ele que um homem fraco não prospera em nenhuma circunstância na vida, até mesmo no amor.
    - Sim, senhor! - ela respondeu fazendo uma reverência de divertimento. - Espero que se esse homem tornar-se nosso senhorio possa ser tão bom quanto a família Gaspar foi.
    - Você se contenta com tão pouco, Lúcia - expressou Geolá na tentativa de relembrar a ela todas as vezes que a menosprezavam. Não entendia como ainda sente reconhecimentos.
    Lúcia o ignorou e voltou para casa para continuar o serviço.
    
    

terça-feira, 26 de outubro de 2021

incapacidade de ler pensamentos alheios se transformam em indecisões baseadas em frustações passadas

acho que ao olhar na sua superfície, você não quer estar aqui. na verdade, até quer, porque você acha importante ter algo fixo na vida.
já que inconstância era seu sobrenome.
se olhar mais no fundo, acredito que você se arrepende de muitas coisas, e isso te aprisiona (pressiona).
eu faço parte do seu caminho ou sou apenas uma peça?
sei a importância das peças para a mecânica da vida funcionar perfeitamente, assim como deve ser. mas eu não quero ser mais uma peça. quero ser a mão amiga, a mão que não solta e ajuda a transformar a vida - ilusória - em magia.
mas as vezes acho que estais se enganando. e acaba nos enganando.
que peça eu sou?
ou eu sou a peça que te faltava?





sexta-feira, 15 de outubro de 2021

por quê escrever?

a leitura sempre esteve presente no desenvolver da minha adolescência. Minha irmã mais velha foi a que mais me inspirou, já que foi ela que me incentivou a ler e até mesmo a escrever. Ela escrevia suas histórias e lia para mim e para minha irmã gêmea. Com certeza isso me inspirou muito. Já que ela arrasava na escrita e até mesmo nas ideias. Depois de anos ainda consigo lembrar da história que ela criou.

na verdade a minha vontade de escrever tanto é para poder exprimir a forma que enxergo os detalhes da vida, da forma mais singela que vivo. eu amo romantizar os caminhos, as flores, as pessoas e a vida. e sinto dentro de mim que algo precisa ser colocado para fora, através de palavras. por isso muitas das vezes eu escrevia e nada saía... eu ainda sinto que falta algum gatilho, ou uma história impressionante ou viver algo para que me sinta inspirada a escrever. mas esse dia ainda não chegou. e me pergunto diversas vezes se esse dia vai chegar e se não é coisa da minha cabeça sonhadora. 

acho que pretendo escrever um livro porque tenho uma vontade incansável de deixar um legado, algo que as pessoas ao lerem meu livro entre num mundo alcançável e mais belo. quero que elas se aconcheguem nas palavras e sintam amor em tudo. até mesmo na vida. 

quero que as pessoas peguem meu livro na mão e ali sintam um mundo novo. um mundo que as façam crescer - já que ler é saudável - e façam enxergar e interpretar os detalhes da vida com palavras. porque a vida é feita de palavras, posteriormente, sensações. "que árvore linda!" - sensação de encantamento. 

quero criar um mundo, uma história, uma vida, um amor, um desencanto, um aprendizado, e fazer as pessoas conseguirem usar sua imaginação. quero que elas enxerguem os detalhes da vida como eu enxergo. 

eu gosto da forma que vejo a vida. quem sabe alguém goste também?

sábado, 9 de outubro de 2021

Histórias Inacabadas VI

- Cara, você precisa esquecê-la - afirmou Douglas na tentativa de convencer o amigo que beber é o melhor remédio para términos - Só assim para passar uma dor de cotovelo.
Mas Alex não pensava assim, beber para ele era socialmente. Só que nunca tinha passado por essa dor antes, seu coração parece estar quebrado em cem pedaços. Então dessa vez confiou no amigo e estava bebendo o que nunca na vida havia pensando em beber.
- Mais! - disse Alex batendo o copo com tudo na bancada depois de beber o pequeno copo de tequila pura num gole só.
O garçom pareceu não gostar da batida, então pediu desculpas envergonhado.
O álcool faz ele não controlar sua força.
- Tem uma ruiva gostosa te olhando à direita - informou Douglas empolgado pelo amigo. Não que fosse uma surpresa as mulheres se encantarem por ele, na verdade, era tudo muito fácil para Alex.
Alex não iria olhar, porque o que menos queria naquela noite era conhecer outra pessoa, já estava sofrendo o suficiente por alguém. E pessoas machucam pessoas. 
No entanto, os quatro copos de tequila fizeram ele sentir algo que nunca sentira antes. Sentia-se mais excitado e corajoso. Assim, olhou na direção que o amigo havia apontado. 
Realmente. Ela é uma mulher linda.
Não que é que esse negócio de beber funciona mesmo”, pensou consigo olhando para o próximo copo que iria beber. 
Levantou do banco que estava sentado e tomou em um instante o último gole. E sentiu voltar dentro de si uma coragem que não sentia desde que conhecera Sara.
- Vai fundo, amigo! - gritou Douglas incentivando Alex, dando tapas nas suas costas, rindo de orelha a orelha. - Esse é o Alex que conheço!
Logo que saiu dali, olhou para trás pra ver se encontrava mais algum apoio do amigo, já que um frio na barriga já estava percorrendo por seu estômago, viu Douglas no amasso com uma mulher.
Com certeza isso era uma grande motivação. Obrigado amigo.
- Oi - disse da forma mais formal que conseguia. Já que não conseguia ficar em pé de forma firme. A bebida tinha tirado o equilíbrio. - Você é linda.
A mulher que estava a sua frente tinha olhos verdes, seu cabelo era comprido e a cor parecia de um tom que estava pegando fogo. Além disso, através de um olhar de bêbado, ela parecia apresentar um corpo esbelto. Naquele instante sentiu vontade de tocá-la pra saber se era verdade.
- Você existe? - quando caiu em si, viu que pensou alto. E no mesmo instante tocou no seu rosto.
- Desculpe, mas sim, eu existo. E você está me machucando. - reclamou a mulher tirando as mãos dele do seu rosto. E não parecia estar animada, mas ao mesmo tempo se divertindo da situação.
- Desculpe, fui grosseiro. - disse ele arrependido - Eu bebi mais do que estou acostumado.
- Percebi… - respondeu ela rindo dele. Será que Douglas e ele estavam bêbados o suficiente para achar que ela se interessava por ele?
- Eu vou indo, não queria chateá-la. Prazer em conhecer você - disse ele já dando a volta pensando na merda que estava fazendo em ir atrás de uma mulher, sendo que Sara terminou com ele faz dois dias.
Mas um braço delicado o impediu, fazendo ele se virar novamente.
- Não. Não me chateou. - disse ela fazendo um sorriso de canto. Que depois desse sorriso sedutor não entendeu como não caiu duro no chão. - Fique.
Obediente, Alex sentou ao seu lado. Ela sentada chegava no seu peito, gostava de mulher assim. Já que por ser alto, sempre teve um instinto de querer cuidar e proteger quem era menor que ele. Principalmente as mulheres. Na verdade, a Sara.
Mas agora ela não precisa mais dele.
- Quem não precisa mais de você? - perguntou a mulher bebendo mais um gole do seu copo, envolvendo o canudo entre os lábios. E aquilo o deixou maluco.
- O quê? - quando perguntou, no mesmo instante notou que pensara em voz alta. 
Droga.
- Sara. Minha noiva. Quero dizer, ex noiva. - disse ele olhando para o balcão de vidro que suas mãos estavam apoiadas. Sabia que não era para ter falado isso, estava a um bom tempo sem chegar perto de outra mulher além de Sara. Mas tinha consciência que para conquistar uma mulher falando do antigo relacionamento não era uma boa opção. - Desculpe. Não devia ter dito isso.
- Tudo bem - disse ela sorrindo para dele, e pareceu um sorriso carinhoso. - Você quando está sóbrio fala tudo que pensa também?
- Não. - respondeu ele lembrando das vezes que Sara brigava com ele por não falar tudo que sentia ou pensava.
- Bom, então vou aproveitar. - disse ela com olhar de arteira. - Quem sabe faz mais do que apenas falar o que pensa?
Ele a encarou sério. Sabia que naquele instante poderia tirar ela da cadeira e jogá-la por cima da bancada e fazer ela sentir os melhore sentimentos da sua vida. Mas desviou o seu olhar do dela e respirou fundo para fugir dos seus pensamentos. Antes que pudesse falar em voz alta. E esse sentimento sabia que era da bebida.
- Você tem um olhar quente, sabia? - informou ela com o canudo brincando com os seus dentes de forma provocadora. No mesmo instante um celular que estava a sua frente começou a apitar, e ela rapidamente o pegou na mão e ficou alguns segundos olhando - Queria muito saber até onde esses olhos podem chegar, mas preciso ir embora.
Ela se levantou, largou o canudo na mesa e tomou a metade do copo num gole só.
- Não vai me dizer nem o seu nome? - perguntou ele curioso.
- Alice - pegou o casaco de couro preto que estava apoiado no banco em que estava sentada e antes que pudesse virar as costas para ir embora deu um sorriso - Até uma próxima.
Ok. Levei um fora.
Se virou e avistou o cabelo ruivo passar pela multidão de pessoas.

Histórias Inacabadas V

O corredor na escola era grande, mas não o suficiente para não poder enxergá-lo de longe.
- Quem é aquele? – perguntou Julia maliciosamente e o olhar dela seguia na mesma direção de Alice. – Nunca vi ele aqui...
Alice não achou relevante responder. Já que Julia sempre tinha alguém na sua mira. Aquele garoto era só mais um.
Por estarem no fim do corredor conseguiam ver perfeitamente cada passo que ele dava.
Ele não era tão alto, mas o suficiente para olhá-la nos olhos sem levantar o olhar. Estava usando all star preto de cano alto, e uma meia meio colorida que ia até a metade da canela. Seu short era um preto básico e não era comprido. Parecia que algum estilista havia o ajudado para não parecer mais baixo que o normal.
Um estilo legal e diferente do comum.
Talvez seja isso que tenha chamado a atenção, não apenas de Alice e Julia, mas de todas as garotas que ele passava.
Ele tinha ar de um garoto tímido, mas parecia ser o cara mais descolado da escola. E ele era novo no ambiente.
Aonde quer que ele tenha vindo, provavelmente era bem requisitado.
Alice voltou para o seu objetivo principal que era encontrar a sala de aula de hoje.
- Ju, qual a sua sala de hoje mesmo? – perguntou Alice olhando para amiga, mas viu que ela ainda continuava fitando o garoto novo. – Ei!
- Opa, desculpa. Estava procurando algum defeito nele – respondeu ela por fim e olhou para a amiga. E quando a olhou viu que Alice estava com o olhar dizendo “e aí?” – Você quer saber a sala ou quer saber se ele tem defeito? Fiquei confusa.
- A sala – Alice revirou os olhos. Hoje não estava muito paciente com nada. Nem com a sua melhor amiga. A sua manhã não havia começado bem, na verdade, foi péssimo.
Era para ser um dia animado, visto que é o último ano do ensino médio. No entanto, só rezava para que a tarde passasse logo e fosse embora da escola.

sobre a certeza

 Quero certeza. Entrega. Confiança. Sinceridade. E mais do que tudo, amor.

Sofri por sentir demais, sofri por sentir de menos, sofri por me entregar demais – ao ponto de se perder –, sofri por esquecer de quem eu era por querer ajudar o outro a se encontrar. 

Quero fluxo. Levidade. Acalento. Conforto. E mais do que tudo, paz.

Tive um passado, histórias com momentos que me fizeram ser quem eu sou hoje. Se não aceita minha história, você recusa a mim. O hoje nada seria sem o ontem, e eu só existo para fazer um melhor no agora para refletir no amanhã. Portanto eu não quero metade, estou cansada disso. Quero a maçã toda. Não me venha com ela mordida, já me fere demais saber que um dia aceitei isso, e muito menos. 

Quero dar carinho com a certeza de que a pessoa realmente a sente – daquelas maneiras que os olhos se fecham e a alma suspira. Quero dançar na chuva sabendo que tem alguém rindo de mim sentado na rede. Quero dormir nos braços de alguém que não esconde segredos da matéria e da alma para mim. Quero a tranquilidade de deitar-me no peito de alguém e saber que ali é meu lugar, dentre tantos lugares do mundo eu escolhi ficar ali. Sentir aquele coração, porque é o dele que faz o meu bater mais forte.


Histórias Inacabadas IV

Sua respiração ofegante estava incontrolável. Podia sentir a corrente sanguínea fluindo rapidamente pelo seu corpo e não conseguia mover um músculo sequer.
- Vitor, você o matou! – afirmei com a voz trêmula, e meus olhos estavam vidrados no corpo deitado ao chão coberto de sangue.
- E agora, Augusto? – perguntou Vitor assustado, mas de certa forma podia ver seus olhos mergulhados de prazer. Sabia que o amigo gostou do que fizera, e muito. – Devemos enterrá-lo?
Confesso que estava gostando de vê-lo sofrer, gritando de dor e implorando para que parasse. No entanto, sabia que o seu prazer tinha limites. E nunca chegou a matar alguém, mesmo a vontade sendo grande. E sabia que Vitor era descontrolável em alguns momentos, algum dia isso iria acontecer. E estava percebendo que estava indo longe demais.
- Devemos queimar seu corpo – respondi confuso – Na verdade não sei o que podemos fazer, cara.
- Isso! Vamos queimá-lo – disse Vitor já correndo para o carro para pegar o galão de gasolina que sempre tem de reserva no porta malas do seu carro. – Me passa o isqueiro.
Entregou seu isqueiro para o amigo e se afastou do morto. Olhou esperançosamente para que o homem acordasse para que não pudesse realmente confirmar sua morte após a queimadura. Mas não mexeu um dedo.
Então Vitor o olhou antes de jogar o isqueiro no corpo coberto de gasolina.
- Adeus, amigo. – Vitor disse enquanto o corpo pegava fogo. Percebeu no amigo que ainda estava gostando de vê-lo queimar.
Aquele momento durou minutos. Mas no fundo sabia que aquele momento estaria para sempre em seus pensamentos.
Entramos no carro, o suor escorria por nossa face. Me olhei no espelho do carro e podia ver nos seus olhos a angústia do que tinha acabado de acontecer. E Vitor parecia já ter esquecido.
- Vamos na festa do Will? – perguntou Vitor diminuindo a música do carro, na qual ele tinha aumentado para dispersar seus pensamentos. E parece que percebeu a distância mental de Augusto – Cara, não fica assim, temos que esquecer isso. Fica tranquilo que isso nunca mais vai acontecer.
Olhou nos olhos de Vitor para saber se não estava brincando, porque iria socar sua cara se estivesse.
Mas parecia estar sendo sincero.
Então abaixou a guarda e respondeu o amigo mais sossegado.
- Vamos.
Vitor saiu dali cantando pneu.

___

- Cara, que bom que vocês vieram! – exclamou Will cumprimentando os dois com um tapa forte nas costas – Tem bebida na sala e na cozinha, fiquem à vontade.
- Assim que eu gosto, camarada – respondeu Vitor sorrindo de orelha a orelha e indo em direção a cozinha.
- Guto, parece que você não dorme a dias – disse Will preocupado.
- Não é nada – respondeu com um sorriso no rosto – Só estou um pouco frustrado que amanhã vai começar as aulas.
- Entendi – Will tentou compreender, mas sabia que Augusto nunca foi de estudar, então não entendeu o porquê da frustração do amigo.
Augusto pegou uma cerveja e foi até o quintal que fica atrás da casa. Lá não tinha ninguém que pudesse querer conversar com ele.
Sentou no chão perto da casa na árvore, tinha muitas lembranças naquela casa. Umas muito boas e outras muito ruins.
O que havia dentro dele já o pertencia a muito tempo. Na verdade, desde que nascera. Tinha dezessete anos de idade e nunca descobriu esse desejo profundo e intenso que corre pelas suas veias em querer… bem, de gostar de ver pessoas sofrendo.
E tudo começou naquela casa na árvore, que aparentemente se mostra inocente.
Ouviu passos que vinha dentro da pequena floresta que havia atrás da árvore. O que fez ele levantar no pulo. 
- Quem está aí? - perguntou ele curioso e na defensiva. 

esperança

Vivemos num mundo onde se prioriza as pessoas pelo o que elas possuem. Os índios sabem valorizar o que é bonito, ou seja, eles idolatram a natureza e acreditam que o mundo pode parar de existir em questão de tempo se as pessoas continuarem a acreditar que o que possuímos é mais importante do que podemos ser. O nosso caráter e sabedoria é o que podemos fazer para um mundo melhor. Os índios vivem disso, e o que o pessoal "lá de cima" acredita que isso não compõem o verdadeiro Brasil. Para eles basta pôr um fim e deu, e os índios que se virem no mundo capitalista. Conclusão: trabalhe e consuma que você se torna um cidadão.
Mas queremos viver do que nos torna satisfeitos e felizes e consequentemente torne o próximo também!
O governo nos tira isso para que sejamos escravos de um mundo que gira em torno do capital.
E infelizmente eles acreditam que isso possa levar o Brasil para frente, a única coisa que eles levam para frente nessa história toda, é para o fim do mundo.
Estamos presos em algo que não podemos voltar atrás do que há anos foi construído.
E penso que seria melhor se tudo fosse simples, em vez de casas, deveríamos morar em barracas, em vez de médicos, tenhamos amigos, em vez de dinheiro, a única riqueza seja o amor um pelo outro, em vez tristeza, que tenha um mar límpido para acalmar, que as classes não classifiquem em que ambiente podemos estar, mas que trabalho devemos fazer para continuar cuidando do lugar que estamos. Em vez de fúria, tenhamos um coração grato, que a única revolta em nossas mentes sejam para continuar que todos tenham um mente justa e em paz. Não tenhamos um governador, mas sim que cada ser humano cuide um do outro para que nada seja privado para si e sua família. Em vez de termos apenas um lar, que tenhamos cada canto da terra para viver. O respeito que haver entre todos humanos seja transmitido para todos os seres vivos também.

Entro no meu quarto e vou em direção a minha cama, quando sento na beirada dela, fecho meus olhos, respiro fundo e solto ar levemente. Abro meus olhos e observo ao redor, e vejo que o que me prende aqui, que me faz isolar de tudo lá fora são as paredes. E junto delas tem tudo que o homem inventou. E uma lágrima escorre no olho direito e imagino que não tem mais como voltar atrás, não tem mais porque querer mudar tudo isso, pois esse é o jeito que o ser humano faz para se tornar melhor, destruindo e manipulando tudo que a terra possui de bom e útil.
Mas sabe de uma coisa? Não me deixarei levar por tudo isso, toda essa angústia, darei a perna por cima e farei a minha parte. Lutarei para que pelo menos o meu mundo seja melhor e mais igualitário.
Limpei as próximas lágrimas que vieram e sorri.
Sai do quarto e fui para a rua, o lugar onde tudo é mais amplo e ao mesmo tempo tenebroso. E pensei o quão sortuda eu sou por ter pelo menos o meu lugar na terra e ainda assim estar de encontro com a natureza. Não deixarei que a ganância sobreponha a minha fé.

expectativas vs frustação vs ilusão

Queria conseguir por em palavras, perfeitamente selecionadas, sobre como sinto sua falta.
Acho que o tanto de coisas que idealizei fazendo ao seu lado, momentos que queria muito compartilhar contigo, esse sentimento tão vasto que é querer te amar, que as palavras acabam se perdendo.
Elas ficam flutuando num cenário preto, voando sem sentido. E não consigo buscar as palavras certas.
Então fico assim, perdida e infeliz.
Na verdade, não fostes a única pessoa que pensei assim (eu acho). Todas as vezes que sonhava em fazer coisas legais com pessoas, nunca aconteceram.
Por isso fico tão triste. Porque acredito - tomara que eu esteja errada - que nunca vá acontecer com a gente.
Mas aí o som dor mar preenche meus ouvidos. A sua risada ecoa na minha cabeça, o seu corpo pesa o meu e o seu beijo refresca minha alma. E então tudo se desfoca.
Quero você mais que tudo na minha vida.
Porque sinto isso?
Ou melhor, você pensa em mim?
E o que você lembra de mim? Quais momentos você lembra da gente que te faz sorrir?

intensidade

Era tão gostoso a forma como conversávamos, você ouvia com os olhos e os ouvidos, e respondia com o coração. Eu ouvia com os olhos e com os lábios curvados em um leve sorriso eu agradecia mentalmente por ouvir também. Agradecia por estar conhecendo mais você, e de poder ouvir sua voz, ou melhor, a melodia da sua voz e o tambor que o som da sua risada causa nas minhas células.
A cada passo que faço para chegar próxima a você, é como se acontecesse mil foguetes de alegria no céu, só que na verdade, esses foguetes explodem por todo meu corpo. Sofro nas nossas despedidas. Pudera eu ter um botão que pudesse parar o tempo. E juntos vivêssemos no dia pelo menos metade do que anseio ainda viver contigo.
Anseio loucamente para tê-lo dentro de mim de novo, por sentir o hálito quente e ofegante saindo dos seus lábios e em conjunto com os meus. E te olhar nos olhos e saber que eu sou inteiramente sua naquele momento, e vice versa. Você é lindo.
Você tem os olhos mais lindos que já vira, o toque mais gentil que já sentira, o gosto mais delicioso que já experimentei, você tem as respostas que eu preciso.

jazz

A música de jazz tocava na pequena caixa de som, saindo dela encontrava-se dois seres - relativamente pequenos, comparados a esse universo - mas, mesmo assim, o tamanho da intensidade energética dos dois parecia que só existia eles na Terra. Eles e o desejo incontestável de amar um ao outro.
A cada beijo um suspiro de ansiedade e de agonia.
Ele a virou seu corpo para sentir suas nádegas e sentir o cheiro da sua nuca.
Ela respirou fundo ansiando pelo seu toque.
Até que ele a tocou, de leve, mais ao mesmo tempo com excitação.
Ela se virou e o beijou, ah, como era bom beijá-lo. Ela brigou um pouco com o vestido para tirá-lo, mas no fim conseguiu, com certo riso descontraído e rubor no rosto.
Foi então que ela se deitou na beirada da cama e ele a seguiu, sob seu corpo.
- Desculpa, sou um pouco desastrada - comentou ela entre beijos timidamente
- Você é linda - respondeu ele com a voz rouca.
Todas as suas células do corpo se aqueceram ainda mais. E então soube naquele momento, que o seu desejo por ele não terminaria apenas naquele noite.
Não.
Ela queria muito mais. Ela queria mais noites chuvosas, mais noites estreladas, mais noites de lua cheia, longas noites ao seu lado.
Aquelas horas com ele naquela noite foram uma explosão de sentimentos sendo realizados, toda vez que o olhava, se perguntava: isso realmente está acontecendo?
Quando sentiu o olhar dele apenas para o seu corpo, pegou seu queixo de leve e pediu com certo anseio para que a olhasse nos olhos.
Ele levantou o olhar de encontro ao seu entendendo o que ela queria e disse: tá bom.
Alguns segundos depois, completou: "é que você é muito gostosa".


Histórias Inacabadas III

Apaguei as luzes do escritório e ainda podia ver que na sala do Dr. Carlos ainda estavam acesas. Por um instante pensei em convidá-lo a ir junto comigo no Ronkos Bar, mas lembrei dos momentos que passei ao seu lado no corredor e ele não me cumprimentava. Ou pior, fingia que eu não existia.
Sentia pena dele, ele parecia ser tão solitário. Chega cedo no trabalho e sempre é o último a sair. Está certo que faço o mesmo, mas eu tenho vida social. E pelo o que eu e a Julia vemos pelas suas redes sociais, ele não posta foto alguma, nem com amigos. E por incrível que pareça - já que ele é estupidamente lindo - também parece ser solteiro.
Andando pelo corredor que dava a porta da saída, meu celular começa a tocar, interrompendo meus pensamentos.
- Maya, onde você está? - gritou Julia no outro lado da linha, já que ao fundo estava tocando um som muito alto, que parecia ser pessoas conversando. Hoje no bar irá tocar o cover do Pink Floyd, quando vimos que ia ter, logo já compramos os ingressos. Por mais que eu trabalhasse até mais tarde, eu ia fazer esse esforço. Já que Ju estava me implorando fazia tempo para que saísse de casa e conhecesse pessoas novas.
Confesso que ultimamente estou em função do meu trabalho, estar trabalhando Hospital Infantil Joana de Agostinha sempre foi meu grande sonho, e com certeza devido ao meu comprometimento me fizeram estar lá há cinco anos. E há um ano me tornei Chefe do Setor de Nutrição, assim torna meu serviço ainda mais pesado. E Julia não entende muito isso. Eu entendo ela, eu sei que exagero. Mas ainda não arranjei coisa melhor pra fazer que não seja o meu trabalho.
- Estou saindo daqui agora, Ju. Daqui a pouco estou ai! - respondi a ela, mas por instante levei um susto quando ouvi alguém chamando meu nome.
Nunca tinha escutado essa voz antes, fiquei até com medo de olhar para trás e ser assaltada. Já que já era noite e não tinha ninguém por perto. Até o segurança não estava ali.
- Maya! - vociferou a pessoa com a voz mais grossa que já ouvira antes.
Por fim ao virar fiquei extasiada ao ver que quem chamava o meu nome era, nada mais, nada menos, que Dr. Carlos.

Histórias Inacabadas II

O sol entrava pela grande janela do meu quarto, realçando a poeira que voava pelo ambiente, e meu rosto se aquecia deliciosamente. Levei um susto quanto vi que havia alguém na janela.
- Kaio! - gritei num esporro - Isso é jeito de aparecer!
- É assim que você me recebe? - perguntou ele rindo de mim.
- Já aproveita e me responde essa mesma pergunta... - o retruquei levantando da cama e me aproximei da janela.
Fazia um ano que não o via, e era incrível como Kaio tinha mudado. Seu rosto estava com mais traços, seu cabelo estava grande, e não lembrava que seus olhos eram tão claros. Quando cheguei perto me deu até uma certa vergonha, talvez intimidada seja a palavra certa. Já que eu dentro de casa ainda assim ele conseguia ser mais alto.
O que de certa forma me frustrou, porque do verão passado pra cá eu continuava com a mesma cara de criança.
- Como você sabia que tinha chego? - perguntei sentando na janela, agora eu estava mais alta.
- Sinto seu cheiro de longe, Kalice. - por um momento achei que ele estava falando sério, já que não saiu nem um sorriso dos seus lábios, mas por alguns segundos percebi que era brincadeira, já que é impossível sentir meu cheiro do outro lado da rua.
- Papai não é nada silencioso né?! - perguntei sorrindo.
- Nada mesmo. - sorriu de volta - Ele sempre vai nos cumprimentar quando chega. Por que você não veio educada assim?
Não me contive e dei um tapa no seu braço, o que fiquei ainda mais assustada. Com certeza Kaio ultrapassou muito rápido na fila de criança para um adolescente-adulto. Porque seus braços estavam cheios e incrivelmente duros.
De repente voltei a si e vi que estava com a mão em seu braço ainda. Sai da janela num pulo e fiquei de costas pra ele para que não percebesse meu rosto vermelho.
- Meu pai está me chamando. Preciso ir. 
- Não ouvi nada. - disse ele. - E pelo que lembro, ele estava tomando café com mamãe lá em casa. Ele que nos contou que você veio junto com ele.
- Impossível. Eu o ouvi. - Droga. - Devo estar louca então.
- Vem tomar café com a gente, Kalice. Dona Márcia fez aquele bolo que você ama. - convidou ele muito simpático e animado.
Engoli o orgulho e aceitei. Tenho que aceitar que no fim das contas Kaio um dia ia crescer... Está certo que não pensei que seria tanto.
Achei que ele ia ser pivete por mais alguns anos, que nem eu.
- Ok, vamos!

Histórias Inacabadas I - A empregada do amor

Deitada ao chão, sobre um tapete de camurça que, pela sua beleza e grandiosidade, seu preço era incontável para aquela simples empregada. Não conhecia bem os números, mas sabia que aquele tapete poderia conter vários zeros na contagem. E o ilustre acima da moça observadora era ainda mais indescritível. A madeira que foi feita devia ser a mais rara no país, as lâmpadas eram as mais novas na Vila. Não sabia se estava triste ou alegre no fim das contas, já que teve a oportunidade de conhecer essas beldades, mas em contraposto, não eram suas. E nunca seriam.
Se assustou ao ouvir o som de uma voz conhecida vindo da porta e rapidamente se levantou. Pegou o tira pó e voltou a sua função.
Ao abrir a porta, a presença de Dona Olívia preencheu o ambiente. Já que sua voz não era nem um pouco discreta. Ao ver Lúcia tirando a poeira dos móveis logo informou ao convidado da sua empregada.
- Essa é Lúcia, nossa empregada de muitos anos. - disse ela ao homem muito sério ao seu lado.
Lúcia nunca o tinha visto ali.
- Então essa é Lúcia? - perguntou ele a encarando pensativo.
- Mas como o tinha dito, sr. Henrique, ela nunca saiu daqui. Está conosco há cinco anos... Olhe sua cara de menina inocente... - ela pôs uma de suas mãos a boca com condolência para enfatizar a situação. Parecendo forçada demais até.
Lúcia estava completamente confusa com aquela conversa.
- Perdão? - Lúcia só conseguiu pronunciar essas palavras.
Os dois ficaram quietos analisando Lúcia. Como se quisessem conhecê-la pelos gestos que poderia fazer a cada segundo.
- Desculpe, senhorita. - disse o homem de forma arrogante. Lúcia era uma menina jovem. Mas de criança não tinha nada. O seu corpo, seu olhar intenso e seu rosto firme já mostravam o quanto já sofrera e aprendera com a vida. - Não queria interrompê-la nos seus serviços. - o homem se virou para Olívia. - Vamos continuar?
Ela assentiu educadamente e saíram da grande sala que se encontravam.
E sem entender nada, saiu correndo dali e foi a procura de Geolá.

términos começam assim; a certeza vira uma dúvida constante

O que fazer quando tudo parece estar perdendo a força? O que fazer quando o que parecia um conto de fadas, hoje parece que a carruagem está voltando a ser uma abóbora?... Tenho tanto medo de perder o que tivemos e o que sentimos... Porém, sinto que já perdemos algumas coisas, especialmente você. Sei o seu amor, sei que o seu olhar é sincero... Mas tenho medo. De que tudo isso pare de existir.

carência

Ando pensando tanto na gente...
Quando que você vai voltar a me amar por inteira?
Olhar brilhando para mim com admiração e carinho?
"Te sinto tão longe, longe, longe, longe, mas te quero perto..."
Errei muito... sei que o erro que cometi foi exagerado... Eu sou exagerada.
Será um defeito?
Eu só quero que você sinta falta de mim... Não vejo mais a sua alegria em me ver como antes...
Eu sei que leva tempo...
Mas e o que eu sinto?
Sinto falta de você.
Sinto falta de ser amada.
Do que adianta termos um ao outro e não sentir a união da alma?

eu e o clima, faz sentido até

Hoje acordei mais feliz do que normal. Talvez seja o sol do inverno que me agrada tanto... E hoje o dia amanheceu mais quente. É basicamente assim que meu país funciona. Num dia, o frio racha a boca e seca a pele. Em outro, o clima nos faz arregaçar as mangas, tirar o casaco e saborear o sol que nos ilumina com tanto fervor. E pode ter certeza que a noite vai ser a mais fria que já teve nesse inverno.
Se eu gosto desse clima? Eu amo!
E talvez eu seja que nem o clima do meu país.
Num dia estou fria. Em outro estou quente! Mas em todos eles eu me mantenho aquecida.
Porque nada melhor que um calor interior que incentiva a do outro e inspira a minha essência.

otimismo

O que fazer quando a sua única alternativa é ficar acompanhada consigo mesma?
Ter que aguentar seus pensamentos, suas angústias, e suas alegrias, sozinha.
Onde sempre vivia repleta de conversas, sorrisos, brincadeiras, com companhia.
Hoje apenas fico com as lembranças boas de uma velha e boa vida que não me pertence mais...
Se por algum momento eu tenho vontade de voltar no tempo?
A todo instante.
Não somente pela maravilhosa companhia. Mas a pessoa que eu era com todos quando eu tinha sua presença.
Pareço perdida em mim mesma. Tentando descobrir o que realmente sou e quem eu sou. E qual é o meu lugar nesse mundo gigantesco...
São tantas pessoas nesse mundo com suas vidas, buscando por sua contínua paz interior. Tantas pessoas desejando pelo menos acordar bem no dia seguinte. Ou simplesmente poder levantar sem a ajuda de alguém.
E eu tenho toda a benção de acordar e continuar vivendo sem os problemas reais da matéria. Tenho minhas pernas, meus perfeitos olhos, minha voz, e todas essas e outros motivos que me motivam continuar.
Não estamos juntas, mas você ainda vive, isso que importa.

reciprocidade

Se for parar para contar quantas risadas tive e você foi o motivo, eu não conseguiria saber. No entanto eu sei todas as vezes que me fizesse feliz, pois é sempre

dias (in)comuns

Minha cabeça estava doendo tanto que parecia que alguém martelava, meus ombros pesavam que parecia ter uma cruz em cima. Meus olhos pareciam estar carregados, como se não dormisse a dias. Eu estava completamente destruída e arruinada. Não conseguia levantar da cama nem pra comer. Eu queria sumir para um lugar melhor, mas nem pra isso eu tinha vontade. Definitivamente eu não queria estar melhor. Como se perdesse o motivo de estar feliz. 
O que é ser feliz, afinal?

incessante frustação do século XXI: ser feliz

Ela tinha medo dos seus sonhos. Ou simplesmente medo de que eles não se realizassem.
Ele sonhava baixo. E tudo que desejava já tinha sido realizado. Hoje ele procura novos sonhos.
Ela sonhava que sua história de amor fosse parecida com os filmes de romance que assistia.
Ele sonhava apenas em ser dela.
Ela queria coisas difíceis.
Ele apenas queria ser o motivo dos sorrisos dela.
Ela encontrou algo que satisfizesse seu coração. Mais ainda assim não foi a realização do seu sonho.
Ele se machucou. Não aguentou ver a iludida felicidade da sua amada. E partiu.
Ela sentiu falta de algo. Talvez seja dos olhares sinceros de um certo homem. Mas se sentia bem, de certa forma.
Ele encontrou alguém que pudesse preencher o vazio.
Ela quase todos os dias buscava aquele sincero olhar. Arrependida de não ter abraçado aqueles grandes olhos e de ter escolhido a solidão.
Ele sofreu. Sofreu por ter preenchido um vazio com alguém que não o pertencia. Mas sofreu pelo motivo certo. De lutar por algo que o deixe melhor.
Ela ficou feliz.
Ele olhou para ela. De novo.
Ela o olhou. E chorou por ter enxergado pela primeira vez que naqueles olhos havia um homem incrivelmente lindo. De corpo e alma.
Ele preencheu o vazio. E foi em cheio.
Ela o ama, mais do que tudo.
Ele a ama, ainda mais do que antes.

a vida continua

 

É ruim pensar que uma história que teve tantos momentos bons, acabou.

É estranho pensar em como duas pessoas, que se amaram tanto, e individualmente são incríveis, mas juntos não deram certo. E isso acontece muito. É real. É cíclico. É necessário, de certa forma. Cortar laços profundos exige muita coragem, força e amor. 

Pensamentos correm no passado, involuntariamente. Eles chega como uma sombra e é repentina. Mas você não quer estar lá, não quer voltar para a lembrança - ou para a pessoa. No entanto, elas surgem. E dá uma certa dor. Porque acabou, e você precisa continuar. 

Ainda bem. Porque vínculos surgem, muitas vezes, para serem rompidos. Eles chegam com tanto sentido e intenção, que quando terminam, nos ensina muito (mais). É na dor que aprendemos e lembramos do essencial, que é nós mesmos. E enxergamos que amar não é tudo. Mas é o início de tudo. Amar te move, te ensina, te transforma, te renova... Por isso, amar nunca deve ser um arrependimento. Pois amar te permitiu olhar com os outros olhos, e entender que a vida continua. Com a mente leve e feliz.

o tempo

       O tempo é precioso. E só damos valor ao tempo quando as responsabilidades adultas chegam. Claro que cada fase da vida é especial. Por...