- Vitor, você o matou! – afirmei com a voz trêmula, e meus olhos estavam vidrados no corpo deitado ao chão coberto de sangue.
- E agora, Augusto? – perguntou Vitor assustado, mas de certa forma podia ver seus olhos mergulhados de prazer. Sabia que o amigo gostou do que fizera, e muito. – Devemos enterrá-lo?
Confesso que estava gostando de vê-lo sofrer, gritando de dor e implorando para que parasse. No entanto, sabia que o seu prazer tinha limites. E nunca chegou a matar alguém, mesmo a vontade sendo grande. E sabia que Vitor era descontrolável em alguns momentos, algum dia isso iria acontecer. E estava percebendo que estava indo longe demais.
- Devemos queimar seu corpo – respondi confuso – Na verdade não sei o que podemos fazer, cara.
- Isso! Vamos queimá-lo – disse Vitor já correndo para o carro para pegar o galão de gasolina que sempre tem de reserva no porta malas do seu carro. – Me passa o isqueiro.
Entregou seu isqueiro para o amigo e se afastou do morto. Olhou esperançosamente para que o homem acordasse para que não pudesse realmente confirmar sua morte após a queimadura. Mas não mexeu um dedo.
Então Vitor o olhou antes de jogar o isqueiro no corpo coberto de gasolina.
- Adeus, amigo. – Vitor disse enquanto o corpo pegava fogo. Percebeu no amigo que ainda estava gostando de vê-lo queimar.
Aquele momento durou minutos. Mas no fundo sabia que aquele momento estaria para sempre em seus pensamentos.
Entramos no carro, o suor escorria por nossa face. Me olhei no espelho do carro e podia ver nos seus olhos a angústia do que tinha acabado de acontecer. E Vitor parecia já ter esquecido.
- Vamos na festa do Will? – perguntou Vitor diminuindo a música do carro, na qual ele tinha aumentado para dispersar seus pensamentos. E parece que percebeu a distância mental de Augusto – Cara, não fica assim, temos que esquecer isso. Fica tranquilo que isso nunca mais vai acontecer.
Olhou nos olhos de Vitor para saber se não estava brincando, porque iria socar sua cara se estivesse.
Mas parecia estar sendo sincero.
Então abaixou a guarda e respondeu o amigo mais sossegado.
- Vamos.
Vitor saiu dali cantando pneu.
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- Cara, que bom que vocês vieram! – exclamou Will cumprimentando os dois com um tapa forte nas costas – Tem bebida na sala e na cozinha, fiquem à vontade.
- Assim que eu gosto, camarada – respondeu Vitor sorrindo de orelha a orelha e indo em direção a cozinha.
- Guto, parece que você não dorme a dias – disse Will preocupado.
- Não é nada – respondeu com um sorriso no rosto – Só estou um pouco frustrado que amanhã vai começar as aulas.
- Entendi – Will tentou compreender, mas sabia que Augusto nunca foi de estudar, então não entendeu o porquê da frustração do amigo.
Augusto pegou uma cerveja e foi até o quintal que fica atrás da casa. Lá não tinha ninguém que pudesse querer conversar com ele.
Sentou no chão perto da casa na árvore, tinha muitas lembranças naquela casa. Umas muito boas e outras muito ruins.
O que havia dentro dele já o pertencia a muito tempo. Na verdade, desde que nascera. Tinha dezessete anos de idade e nunca descobriu esse desejo profundo e intenso que corre pelas suas veias em querer… bem, de gostar de ver pessoas sofrendo.
E tudo começou naquela casa na árvore, que aparentemente se mostra inocente.
Ouviu passos que vinha dentro da pequena floresta que havia atrás da árvore. O que fez ele levantar no pulo.
- Quem está aí? - perguntou ele curioso e na defensiva.
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