- Você conhece o homem que Dona Olívia está tratando? - perguntou para o seu afetuoso amigo de trabalho com muita curiosidade.
- Ele está querendo comprar a casa - respondeu ele ainda mexendo no jardim. Lúcia sempre achou o jardim desta casa a mais linda da Vila, isso graças as mãos incríveis que seu amigo tinha para tal serviço. Acreditava que o amor que ele tinha pelo seu trabalho era demonstrado na esplendida beleza do jardim. Tinha vários tons de cores, desde as flores até as árvores. Ao redor dos dois continha rosas de cores brancas, vermelhas e rosas. E desde que chegou perto do amigo, pode sentir o contraste que era estar ao redor da vegetação. O ar gelado da natureza preenchia seu rosto e o cheiro das rosas refrescavam suas narinas.
- Como assim? - Lúcia não conteve a perplexibilidade da notícia. Ela colocou a mão na boca e arregalou os olhos. Assim que percebeu que fez a mesma coisa que a sua senhora ao colocar a mão na boca, ela baixou. Detestaria ficar sendo influenciada negativamente, ainda mais sobre fofocas.
Lúcia sempre observava a filha da Dona Olívia para tirar algum proveito da sua etiqueta. E imaginou que Elizabete não reagiria dessa forma. Além disso, Elizabete tinha um ar de serenidade que Lúcia admirava. Sobre qualquer assunto ela não demonstrava espanto, apenas escutava, refletia e respondia da forma mais propícia para a situação. Muitas das vezes se sentia até a vontade na sua presença, ao ponto de fofocar sobre assunto particular de algum empregado da vivenda, mas ela a cortava num instante. Ou educadamente escutava e mudava de assunto. Isso até a deixava sem jeito.
Mas em nenhum momento se sentia inferior a ela.
Algo que sempre aprendeu de berço era valorizar a si. Muitos ensinamentos para ser forte com a vida vieram do seu sábio pai Francisco. Infelizmente ele não estava mais vivo para continuar a lhe dar conselhos, muitas vezes Lúcia sentia-se fraca e sem sabedoria para buscar forças, o que intensificava ainda mais a saudade do seu pai.
- Elizabete vai fazer faculdade no exterior, assim, a família resolveu ir junto para morar - informou ele sem mostrar preocupação.
As vezes ela não entendia como as pessoas não viam energia nos acontecimentos.
- Esse tal Henrique irá comprar? - ela não conteve o desânimo. Por mais que Dona Olívia era ríspida muitas vezes, ainda assim sentia-se parte da família. Pois a Sra. Olívia aceitou-a a trabalhar ali mesmo sem experiência. Sendo seu único trabalho na vida. E mesmo assim sempre teve paciência para ensinar Lúcia a ser uma boa empregada.
Ficaria desempregada?
Sua mente agitou-se com tal possibilidade. Sua renda era muito importante para cuidar da sua debilitada mãe.
Após o falecimento de Francisco, a Sra. Florinda nunca mais foi a mesma. A dor dominou seu corpo de uma forma que a adoeceu, de corpo e alma.
- Não se preocupe, pelo que escutei, a Srta. Elizabete implorou para Olívia manter todos os serviçais empregados, e que não venderia a ninguém se não nos aceitasse junto. - disse Geolá ao ver a preocupação reluzente no rosto angelical de Lúcia. - Já disse para parar de franzir o rosto, isso fará você envelhecer mais cedo.
Ela suspirou de alivio e não conteve o sorriso largo.
Geolá cortou o dedo nas rosas. Ele não conseguia se concentrar ao ver Lúcia sorrindo. Com certeza era os lábios e dentes mais perfeitos que já vira.
Muitas vezes ele tinha a certeza que Lúcia era mais encantadora que a mais bela flor que já cuidara na vida.
Geolá escondeu o machucado e a sensação de dor para não se mostrar fraco diante de Lúcia. Sua mãe sempre dizia para ele que um homem fraco não prospera em nenhuma circunstância na vida, até mesmo no amor.
- Sim, senhor! - ela respondeu fazendo uma reverência de divertimento. - Espero que se esse homem tornar-se nosso senhorio possa ser tão bom quanto a família Gaspar foi.
- Você se contenta com tão pouco, Lúcia - expressou Geolá na tentativa de relembrar a ela todas as vezes que a menosprezavam. Não entendia como ainda sente reconhecimentos.
Lúcia o ignorou e voltou para casa para continuar o serviço.
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