Coloco minhas botas country marrons e preferidas. E me visto do melhor vestido preto que tenho no meu armário, as alças finas se aconchegam no meu ombro, os meus seios livres se espremem na seda e por fim caem perfeitamente nas minhas nádegas.
Me sinto pronta.
Opa, quase ia esquecendo de um pequeno grande detalhe.
Em cima da cômoda apanho meu batom vermelho, vou a frente do espelho que está sobre o chão e o passo com muito cuidado pelos meus lábios carnudos.
Por fim, largo o batom no lugar que estava e volto para a frente do espelho.
Ok. Me sinto ridícula.
Quero dizer, uma esquisita perante a sociedade, mas para mim, estou uma baita gostosa.
Eu me beijava. Até mesmo de batom vermelho.
Já imagino o pessoal da festa me olhando torto.
Maldita pessoas.
Foda-se elas. Esse é meu jeito, e isso que me torna única e mais atraente.
- Você parece uma bela cantora country sexy - elogiou meu pai sorrindo de orelha a orelha e me girando com uma de suas mãos para admirar melhor.
Não consigo evitar uma longa risada.
- Sério, filha - disse ele acendendo o cigarro e indo para a porta da frente - Aproveita, mas com cuidado, por favor.
- Você sabe que comigo não precisa ter preocupações - lembrei ele, mas confiamos muito um no outro, isso que torna nossa ligação tão linda e inspiradora.
- Eu sei, mas não confio nas outras pessoas - disse ele - Lívia já está chegando?
- É para estar... - olho para a estrada, e não vejo nada além da senhora Hubens limpando a grama. - Isso é horas de limpar a grama?
- Nem me pergunte - ele bufou e tragou o cigarro.
No fim rimos juntos.
E de repente nossos ouvidos é preenchido pelo som alto do opala seis cilindros de Lívia.
- Vamos nessa Rose, que hoje a noite é uma criança! - exclamou Lívia assustando a senhora Rubens. Peço desculpas com uma das mãos e ela faz cara feia pra mim. Sorrio por dentro. - Ela está em boas mãos, Sr. Dennis!
- Estou contando com isso - responde meu pai com um sorriso torto e uma certa preocupação refletida no rosto. De certo já está arrependido e pensando que está sendo um pai desnaturado por deixar sua filha de vinte anos sair de casa às nove horas da noite. E parecendo uma bela cantora country sexy.
- Te amo, pai! - grito, esquecendo da vizinha, enquanto o ronco alto do carro sinaliza o arranque.
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