sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Garota Country - Parte 1

     Coloco minhas botas country marrons e preferidas. E me visto do melhor vestido preto que tenho no meu armário, as alças finas se aconchegam no meu ombro, os meus seios livres se espremem na seda e por fim caem perfeitamente nas minhas nádegas. 
    Me sinto pronta. 
    Opa, quase ia esquecendo de um pequeno grande detalhe.
    Em cima da cômoda apanho meu batom vermelho, vou a frente do espelho que está sobre o chão e o passo com muito cuidado pelos meus lábios carnudos. 
    Por fim, largo o batom no lugar que estava e volto para a frente do espelho. 
    Ok. Me sinto ridícula. 
    Quero dizer, uma esquisita perante a sociedade, mas para mim, estou uma baita gostosa. 
    Eu me beijava. Até mesmo de batom vermelho.
    Já imagino o pessoal da festa me olhando torto. 
    Maldita pessoas. 
    Foda-se elas. Esse é meu jeito, e isso que me torna única e mais atraente. 
    - Você parece uma bela cantora country sexy - elogiou meu pai sorrindo de orelha a orelha e me girando com uma de suas mãos para admirar melhor. 
    Não consigo evitar uma longa risada. 
    - Sério, filha - disse ele acendendo o cigarro e indo para a porta da frente - Aproveita, mas com cuidado, por favor. 
    - Você sabe que comigo não precisa ter preocupações - lembrei ele, mas confiamos muito um no outro, isso que torna nossa ligação tão linda e inspiradora. 
    - Eu sei, mas não confio nas outras pessoas - disse ele - Lívia já está chegando? 
    - É para estar... - olho para a estrada, e não vejo nada além da senhora Hubens limpando a grama. - Isso é horas de limpar a grama?
    - Nem me pergunte - ele bufou e tragou o cigarro. 
    No fim rimos juntos. 
    E de repente nossos ouvidos é preenchido pelo som alto do opala seis cilindros de Lívia. 
    - Vamos nessa Rose, que hoje a noite é uma criança! - exclamou Lívia assustando a senhora Rubens. Peço desculpas com uma das mãos e ela faz cara feia pra mim. Sorrio por dentro. - Ela está em boas mãos, Sr. Dennis! 
    - Estou contando com isso - responde meu pai com um sorriso torto e uma certa preocupação refletida no rosto. De certo já está arrependido e pensando que está sendo um pai desnaturado por deixar sua filha de vinte anos sair de casa às nove horas da noite. E parecendo uma bela cantora country sexy.
    - Te amo, pai! - grito, esquecendo da vizinha, enquanto o ronco alto do carro sinaliza o arranque. 

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