sábado, 9 de outubro de 2021

Histórias Inacabadas III

Apaguei as luzes do escritório e ainda podia ver que na sala do Dr. Carlos ainda estavam acesas. Por um instante pensei em convidá-lo a ir junto comigo no Ronkos Bar, mas lembrei dos momentos que passei ao seu lado no corredor e ele não me cumprimentava. Ou pior, fingia que eu não existia.
Sentia pena dele, ele parecia ser tão solitário. Chega cedo no trabalho e sempre é o último a sair. Está certo que faço o mesmo, mas eu tenho vida social. E pelo o que eu e a Julia vemos pelas suas redes sociais, ele não posta foto alguma, nem com amigos. E por incrível que pareça - já que ele é estupidamente lindo - também parece ser solteiro.
Andando pelo corredor que dava a porta da saída, meu celular começa a tocar, interrompendo meus pensamentos.
- Maya, onde você está? - gritou Julia no outro lado da linha, já que ao fundo estava tocando um som muito alto, que parecia ser pessoas conversando. Hoje no bar irá tocar o cover do Pink Floyd, quando vimos que ia ter, logo já compramos os ingressos. Por mais que eu trabalhasse até mais tarde, eu ia fazer esse esforço. Já que Ju estava me implorando fazia tempo para que saísse de casa e conhecesse pessoas novas.
Confesso que ultimamente estou em função do meu trabalho, estar trabalhando Hospital Infantil Joana de Agostinha sempre foi meu grande sonho, e com certeza devido ao meu comprometimento me fizeram estar lá há cinco anos. E há um ano me tornei Chefe do Setor de Nutrição, assim torna meu serviço ainda mais pesado. E Julia não entende muito isso. Eu entendo ela, eu sei que exagero. Mas ainda não arranjei coisa melhor pra fazer que não seja o meu trabalho.
- Estou saindo daqui agora, Ju. Daqui a pouco estou ai! - respondi a ela, mas por instante levei um susto quando ouvi alguém chamando meu nome.
Nunca tinha escutado essa voz antes, fiquei até com medo de olhar para trás e ser assaltada. Já que já era noite e não tinha ninguém por perto. Até o segurança não estava ali.
- Maya! - vociferou a pessoa com a voz mais grossa que já ouvira antes.
Por fim ao virar fiquei extasiada ao ver que quem chamava o meu nome era, nada mais, nada menos, que Dr. Carlos.

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