sábado, 9 de outubro de 2021

Histórias Inacabadas VI

- Cara, você precisa esquecê-la - afirmou Douglas na tentativa de convencer o amigo que beber é o melhor remédio para términos - Só assim para passar uma dor de cotovelo.
Mas Alex não pensava assim, beber para ele era socialmente. Só que nunca tinha passado por essa dor antes, seu coração parece estar quebrado em cem pedaços. Então dessa vez confiou no amigo e estava bebendo o que nunca na vida havia pensando em beber.
- Mais! - disse Alex batendo o copo com tudo na bancada depois de beber o pequeno copo de tequila pura num gole só.
O garçom pareceu não gostar da batida, então pediu desculpas envergonhado.
O álcool faz ele não controlar sua força.
- Tem uma ruiva gostosa te olhando à direita - informou Douglas empolgado pelo amigo. Não que fosse uma surpresa as mulheres se encantarem por ele, na verdade, era tudo muito fácil para Alex.
Alex não iria olhar, porque o que menos queria naquela noite era conhecer outra pessoa, já estava sofrendo o suficiente por alguém. E pessoas machucam pessoas. 
No entanto, os quatro copos de tequila fizeram ele sentir algo que nunca sentira antes. Sentia-se mais excitado e corajoso. Assim, olhou na direção que o amigo havia apontado. 
Realmente. Ela é uma mulher linda.
Não que é que esse negócio de beber funciona mesmo”, pensou consigo olhando para o próximo copo que iria beber. 
Levantou do banco que estava sentado e tomou em um instante o último gole. E sentiu voltar dentro de si uma coragem que não sentia desde que conhecera Sara.
- Vai fundo, amigo! - gritou Douglas incentivando Alex, dando tapas nas suas costas, rindo de orelha a orelha. - Esse é o Alex que conheço!
Logo que saiu dali, olhou para trás pra ver se encontrava mais algum apoio do amigo, já que um frio na barriga já estava percorrendo por seu estômago, viu Douglas no amasso com uma mulher.
Com certeza isso era uma grande motivação. Obrigado amigo.
- Oi - disse da forma mais formal que conseguia. Já que não conseguia ficar em pé de forma firme. A bebida tinha tirado o equilíbrio. - Você é linda.
A mulher que estava a sua frente tinha olhos verdes, seu cabelo era comprido e a cor parecia de um tom que estava pegando fogo. Além disso, através de um olhar de bêbado, ela parecia apresentar um corpo esbelto. Naquele instante sentiu vontade de tocá-la pra saber se era verdade.
- Você existe? - quando caiu em si, viu que pensou alto. E no mesmo instante tocou no seu rosto.
- Desculpe, mas sim, eu existo. E você está me machucando. - reclamou a mulher tirando as mãos dele do seu rosto. E não parecia estar animada, mas ao mesmo tempo se divertindo da situação.
- Desculpe, fui grosseiro. - disse ele arrependido - Eu bebi mais do que estou acostumado.
- Percebi… - respondeu ela rindo dele. Será que Douglas e ele estavam bêbados o suficiente para achar que ela se interessava por ele?
- Eu vou indo, não queria chateá-la. Prazer em conhecer você - disse ele já dando a volta pensando na merda que estava fazendo em ir atrás de uma mulher, sendo que Sara terminou com ele faz dois dias.
Mas um braço delicado o impediu, fazendo ele se virar novamente.
- Não. Não me chateou. - disse ela fazendo um sorriso de canto. Que depois desse sorriso sedutor não entendeu como não caiu duro no chão. - Fique.
Obediente, Alex sentou ao seu lado. Ela sentada chegava no seu peito, gostava de mulher assim. Já que por ser alto, sempre teve um instinto de querer cuidar e proteger quem era menor que ele. Principalmente as mulheres. Na verdade, a Sara.
Mas agora ela não precisa mais dele.
- Quem não precisa mais de você? - perguntou a mulher bebendo mais um gole do seu copo, envolvendo o canudo entre os lábios. E aquilo o deixou maluco.
- O quê? - quando perguntou, no mesmo instante notou que pensara em voz alta. 
Droga.
- Sara. Minha noiva. Quero dizer, ex noiva. - disse ele olhando para o balcão de vidro que suas mãos estavam apoiadas. Sabia que não era para ter falado isso, estava a um bom tempo sem chegar perto de outra mulher além de Sara. Mas tinha consciência que para conquistar uma mulher falando do antigo relacionamento não era uma boa opção. - Desculpe. Não devia ter dito isso.
- Tudo bem - disse ela sorrindo para dele, e pareceu um sorriso carinhoso. - Você quando está sóbrio fala tudo que pensa também?
- Não. - respondeu ele lembrando das vezes que Sara brigava com ele por não falar tudo que sentia ou pensava.
- Bom, então vou aproveitar. - disse ela com olhar de arteira. - Quem sabe faz mais do que apenas falar o que pensa?
Ele a encarou sério. Sabia que naquele instante poderia tirar ela da cadeira e jogá-la por cima da bancada e fazer ela sentir os melhore sentimentos da sua vida. Mas desviou o seu olhar do dela e respirou fundo para fugir dos seus pensamentos. Antes que pudesse falar em voz alta. E esse sentimento sabia que era da bebida.
- Você tem um olhar quente, sabia? - informou ela com o canudo brincando com os seus dentes de forma provocadora. No mesmo instante um celular que estava a sua frente começou a apitar, e ela rapidamente o pegou na mão e ficou alguns segundos olhando - Queria muito saber até onde esses olhos podem chegar, mas preciso ir embora.
Ela se levantou, largou o canudo na mesa e tomou a metade do copo num gole só.
- Não vai me dizer nem o seu nome? - perguntou ele curioso.
- Alice - pegou o casaco de couro preto que estava apoiado no banco em que estava sentada e antes que pudesse virar as costas para ir embora deu um sorriso - Até uma próxima.
Ok. Levei um fora.
Se virou e avistou o cabelo ruivo passar pela multidão de pessoas.

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