sábado, 9 de outubro de 2021

Histórias Inacabadas II

O sol entrava pela grande janela do meu quarto, realçando a poeira que voava pelo ambiente, e meu rosto se aquecia deliciosamente. Levei um susto quanto vi que havia alguém na janela.
- Kaio! - gritei num esporro - Isso é jeito de aparecer!
- É assim que você me recebe? - perguntou ele rindo de mim.
- Já aproveita e me responde essa mesma pergunta... - o retruquei levantando da cama e me aproximei da janela.
Fazia um ano que não o via, e era incrível como Kaio tinha mudado. Seu rosto estava com mais traços, seu cabelo estava grande, e não lembrava que seus olhos eram tão claros. Quando cheguei perto me deu até uma certa vergonha, talvez intimidada seja a palavra certa. Já que eu dentro de casa ainda assim ele conseguia ser mais alto.
O que de certa forma me frustrou, porque do verão passado pra cá eu continuava com a mesma cara de criança.
- Como você sabia que tinha chego? - perguntei sentando na janela, agora eu estava mais alta.
- Sinto seu cheiro de longe, Kalice. - por um momento achei que ele estava falando sério, já que não saiu nem um sorriso dos seus lábios, mas por alguns segundos percebi que era brincadeira, já que é impossível sentir meu cheiro do outro lado da rua.
- Papai não é nada silencioso né?! - perguntei sorrindo.
- Nada mesmo. - sorriu de volta - Ele sempre vai nos cumprimentar quando chega. Por que você não veio educada assim?
Não me contive e dei um tapa no seu braço, o que fiquei ainda mais assustada. Com certeza Kaio ultrapassou muito rápido na fila de criança para um adolescente-adulto. Porque seus braços estavam cheios e incrivelmente duros.
De repente voltei a si e vi que estava com a mão em seu braço ainda. Sai da janela num pulo e fiquei de costas pra ele para que não percebesse meu rosto vermelho.
- Meu pai está me chamando. Preciso ir. 
- Não ouvi nada. - disse ele. - E pelo que lembro, ele estava tomando café com mamãe lá em casa. Ele que nos contou que você veio junto com ele.
- Impossível. Eu o ouvi. - Droga. - Devo estar louca então.
- Vem tomar café com a gente, Kalice. Dona Márcia fez aquele bolo que você ama. - convidou ele muito simpático e animado.
Engoli o orgulho e aceitei. Tenho que aceitar que no fim das contas Kaio um dia ia crescer... Está certo que não pensei que seria tanto.
Achei que ele ia ser pivete por mais alguns anos, que nem eu.
- Ok, vamos!

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